My Journey as a Teacher: From the Classroom to Online Teaching

O meu percurso como professora: da sala de aula ao online

Starting in the Classroom…

I spent a total of 16 years in the Portuguese public school system, and I remember each day as a mix of challenges, smiles, and little “ah!” moments of understanding. Every student who progressed, every discovery we made together, was deeply meaningful to me. For 16 years, I taught Portuguese and English to children and young people in various cities across Portugal, from the Azores islands to Lisbon.

For me, teaching was always more than just delivering content. Even back then, it was about creating connections, inspiring confidence, and making learning meaningful and enjoyable. These experiences taught me that every student is unique and that the passion I felt as a teacher had the power to inspire my students. Even in the classroom, I always sought to learn more and improve my practice.

In 2006, I discovered Waldorf pedagogy, which I fell in love with. I traveled extensively in Brazil, studying and visiting several Waldorf schools. The Waldorf educational world is fascinating—it opens students to the world, to nature, art, and spirituality. I absorbed a lot from this philosophy and carry many of its principles into my lessons, incorporating activities that help students feel a passion for knowledge, curiosity, and discovery—both of the world and of themselves.

Humanitarian Missions in Haiti

In 2010, after the devastating earthquake in Haiti, I felt a strong calling to help. I took a leave of absence and embarked on what would become several humanitarian missions in a country I barely knew on the map—a life-changing experience that completely transformed my perspective on life and education. From 2010 to 2014, then again in 2017, and later in 2020, I worked, learned, and was inspired by people and situations that made me put any challenge in life into perspective.

In Haiti, I undertook various roles: training primary school teachers, managing a medical clinic, running an English program for university students through an NGO, and countless other projects where I shared ideas, initiatives, and dreams with people from different countries. My love for this country is also described in the blog article: “The Importance of Loving What You Learn.”

Between 2014 and 2016, I lived and studied Curative Waldorf Pedagogy in New York, surrounded by people from all over the world. It was there that I realized the power of multiculturalism: each perspective, each culture, brought something unique and enriching to life and learning. Learning together is always more complete when we value diversity and different points of view, even when they are very different from our own.

Returning to the Portuguese School System

When I returned to the Portuguese public school system in 2018, I must admit I didn’t feel fully integrated. Despite the security of being a tenured teacher—a position many Portuguese educators aspire to—something was missing. For two years, I tried to find it, but it was irretrievably lost. In the public school system, I no longer found a space of real diversity and collaboration. I saw more division than unity, more problems than willingness to find solutions, and I felt that staying in this “safe place” risked stopping my growth and evolution.

In 2020, one month before the pandemic, without knowing what was coming, I resigned from my secure position and went back to Haiti for a new job and new adventures… little did I know what was ahead.

Online Teaching: A New Opportunity

Then the pandemic arrived… and everything closed. Nothing went as planned.

It was in this moment of uncertainty that online teaching appeared as an incredible opportunity. What seemed like a setback turned into a chance to explore a whole new world: teaching without geographical barriers, creating innovative content, and maintaining real connections with students. Today, I see the pandemic as a very positive turning point for me.

Adapting to the online world required—and still requires—creativity and continuous learning. I had to transform traditional methods into interactive lessons, create digital materials, and find ways to gauge student engagement.

I remember a shy student who rarely participated in the classroom. Online, with small activities and informal chats, he gained confidence and began to actively participate. Another student loved music. We turned a lesson into a kind of digital karaoke, and seeing students laugh and learn at the same time was magical. It was then I realized: learning can be fun, effective, and deeply human—even remotely.

Online teaching brought unexpected advantages: flexibility, global reach, and resources that students could access anytime. For them, it meant learning at their own pace, with personalized support and direct connection. For me, it meant discovering that technology is not an obstacle but a bridge that brings teachers and students together, even across continents. 🌍

Teaching has never ceased to be a passion. Online teaching proved that the essential element is human connection.

Even through a screen, it’s possible to create dynamic, personal, and transformative lessons. Each student is unique, each progress celebrated, and learning can be joyful, curious, and engaging. Above all, it allows us to build connections—a sense of community, a group of speakers from different languages and cultures united by one thing: learning Portuguese. And then we discover that so much more unites us. That discovery, that creation of connection, is what drives me to continue teaching online and to create planetportuguese.com.

Looking back on my journey—from 16 years in the Portuguese public school system, to humanitarian missions in Haiti after the earthquake, to my studies in New York, returning to the system, and finally venturing into online teaching—I realize that, regardless of the format, teaching is a journey of discovery.

And I am always ready to embark on it with my students, laughing, learning, and celebrating every achievement along the way. ✨

Comecei na sala de aula…

Passei ao todo 16 anos no ensino público português, e lembro-me de cada dia como uma mistura de desafios, sorrisos e pequenos “ah!” de compreensão. Cada aluno que progredia, cada descoberta feita juntos, foi muito significativo para mim. Por 16 anos ensinei português e inglês a crianças e jovens em várias cidades de Portugal, desde as ilhas dos Açores, a Lisboa.

Para mim, ensinar foi sempre mais do que transmitir conteúdos. Já nessa época, era sobre criar ligação, inspirar confiança e fazer da aprendizagem algo significativo e divertido. Esses momentos ensinaram-me que cada aluno é único e que a paixão que eu, como professora, sentia, tinha todo o potencial de contagiar os alunos. Mesmo no ensino presencial, procurei sempre saber e estudar mais e, em 2006, tomei conhecimento da pedagogia Waldorf, pela qual me apaixonei, tendo viajado bastante pelo Brasil enquanto estudava e visitava várias escolas Waldorf. O mundo educativo Waldorf é apaixonante, traz com ele uma abertura para o mundo, o mundo natural, artístico e espiritual. Bebi bastante deste mundo e levo comigo muitos princípios que me guiam e me ajudam a incorporar nas minhas aulas atividades que ajudem os alunos a sentir a paixão pelo conhecimento, pelo desconhecido, pela descoberta de algo novo no mundo e em si mesmos.

Em 2010, após o grande sismo no Haiti, senti um grande chamado para ajudar. Meti uma licença sem vencimento, e parti para o que viriam a ser várias missões humanitárias naquele país que eu então mal sabia onde ficava no mapa, uma experiência que mudou completamente a minha visão de vida e também de educação. De 2010 até 2014 e depois novamente em 2017, e mais tarde em 2020, experienciei, trabalhei e fui inspirada por pessoas e situações que me fizeram relativizar qualquer dificuldade que pudesse surgir na minha vida. No Haiti passei por vários trabalhos, desde dar formação a professores do 1º Ciclo, gerir uma clínica médica, gerir um programa de inglês numa ONG que visava apoiar o estudo de alunos universitários, entre milhões de outras tarefas e projetos em que participei, e onde partilhei ideias, projetos e sonhos com pessoas de variados países. O meu amor por este país está também descrito no artigo do Blog: “A Importância de Amar o que se Aprende”.

Mais tarde, entre 2014 e 2016, vivi e estudei “Pedagogia Curativa Waldorf” em Nova Iorque, rodeada de pessoas de todo o mundo. Foi aí que percebi o poder da multiculturalidade: cada perspetiva, cada cultura, trazia uma riqueza e algo único à vida e à aprendizagem. Aprender algo juntos é sempre mais completo quando valorizamos a diversidade dos olhares, dos pontos de vista, mesmo que estes sejam bem diferentes dos nossos.

Quando voltei ao sistema de ensino português em 2018, confesso que não me senti integrada de coração. Apesar da segurança anunciada de ser professor de quadro no sistema de ensino público, ou seja, “professor efetivo”, algo aspirado por tantos professores portugueses, algo estava a faltar, algo que durante dois anos tentei encontrar, mas que estava irremediavelmente perdido – no ensino público e no seu sistema eu já não encontrava um lugar de real diversidade e de colaboração – encontrei mais divisão do que união, mais problemas do que vontade de encontrar soluções e, principalmente, senti que se me mantivesse no tal “lugar seguro”, corria o risco de deixar de crescer, de evoluir. Em 2020, um mês antes da pandemia, sem sequer imaginar o que viria, pedi rescisão e deixei o emprego seguro e fui de novo para o Haiti, onde me esperavam um novo trabalho e novas aventuras, e nem imaginava que aventuras…

Foi então que a pandemia chegou… e tudo fechou. E nada aconteceu como planeado.

Foi nesse momento de incerteza que o ensino online se apresentou como uma porta possível e onde descobri que também, incrível. O que parecia um revés transformou-se numa oportunidade de explorar um mundo novo: ensinar sem barreiras geográficas, criar conteúdos inovadores e manter uma ligação real com os alunos. Hoje vejo que a pandemia, para mim, foi muito positiva.

Adaptar-me ao mundo online exigiu e exige sempre de mim aprendizagem e criatividade. Tive de transformar métodos tradicionais em aulas interativas, criar materiais digitais e encontrar formas de perceber se os alunos estavam a acompanhar.

Lembro-me de um aluno tímido, que quase nunca participava presencialmente. Online, com pequenas atividades e conversas informais, ele ganhou confiança e começou a participar.

Houve outro que adorava música. Transformámos uma aula numa espécie de karaoke digital, e ver os alunos a rir e aprender ao mesmo tempo foi mágico. Foi então que percebi: a aprendizagem pode ser divertida, eficaz e profundamente humana, mesmo à distância.

O ensino online trouxe-me vantagens inesperadas: flexibilidade, alcance global e recursos que os alunos podiam consultar a qualquer momento.

Para eles, significou aprender ao seu próprio ritmo, com apoio personalizado e ligação direta. Para mim, foi descobrir que a tecnologia não é um obstáculo, mas uma ponte que aproxima professores e alunos, mesmo em continentes diferentes.

Ensinar nunca deixou de ser uma paixão. E o online provou-me que o essencial é a ligação humana.

Mesmo através de um ecrã, é possível criar aulas dinâmicas, pessoais e transformadoras. Cada aluno é único, cada progresso é celebrado, e o aprendizado pode ser divertido, cheio de curiosidade e alegria. E para mim, acima de tudo, é possível criar conexões, um sentido de comunidade, um grupo de falantes de variadas línguas e provenientes de variadas culturas, que têm algo em comum – aprender a língua portuguesa. E depois percebemos que muito mais do que isso nos une. Essa descoberta, esse criar de conexão, é o que me move a continuar no mundo online e, particularmente, a ter criado o planetportuguese.com.

Olhar para a minha trajetória — dos 16 anos no ensino público às missões humanitárias no Haiti após o sismo, ao mestrado em Nova Iorque, ao regresso ao sistema e finalmente ao ensino online — faz-me perceber que, independentemente do formato, ensinar é uma viagem de descobertas.

E eu estou sempre pronta para embarcar nela com os meus alunos, rindo, aprendendo e celebrando cada conquista ao longo do caminho.

Sandra Silveira